Auto-conhecimento, Espiritualidade, Luto

Auto-compaixão.

Quando a dor é no coração, só tem um remédio, auto compaixão. Achei que seria mais fácil, não está sendo. Atravessar as memórias das 24 hrs de vida-morte-vida que vivemos há três anos . Desde ontem sinto algo paralisante. Dormi quase o dia inteiro ontem, a noite inteira e hoje consegui me fazer levantar no mesmo ritmo daqueles dias de dor, a base da negociação. Quem nunca passou por isso não conhece esse diálogo: ah vai só abre os olhos; agora fica em pé; lembra que você adora café? Então vamos até a cozinha!; veja como o dia está bonito tem sol, vamos sentar lá um pouquinho…levamos nosso corpo para fora da dor aos pouquinhos, com doses homeopáticas de um futuro. Depois de muita negociação, consegui colocar a roupa de corrida e sair pela rua. O suor foi derretendo as amarras que me prendiam na cama. Deu problema na corrida e tive que me atirar no mar (história engraçada pra outro momento). Levei uma onda enorme na cara, orelha e cai no buraco do repuxo. Assustei, mas lembrei que já morri tantas vezes, que não era dia hoje. Nadei pra areia. Ri de mim mesma. E ali começou o caminho de volta, naquele riso. Olhei pra frente e comecei a caminhar na areia fofa. Luz do sol fazendo o mar brilhar, e a música da playlist da alma fazendo meu rosto molhar. Lágrimas de gratidão. De saudades. De amor. De desespero. De coragem. Pois o que está por vir será maior, eu já escuto os teus sinais. Então começo a ver penas, voando pra lá e pra cá. Minhas passarinhas. Sempre deixando pistas por aí. Peguei uma, duas, doze. Pra depois largar todas ao vento sul que soprava como a voz de Iansã ao meu ouvido, vamos que ainda não acabou. Nunca acaba. É um eterno caminho nessa montanha russa da vida. O que eu ainda estou fazendo aqui? Ela responde: evoluindo filha, evoluindo. #escritosdedanimartins foto: quem vê sorriso forçado, não vê coração 💔.

Deixe um comentário